“Vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos” Jonh Lennon
Li recentemente um artigo sobre os principais arrependimentos que temos na vida.
A matéria começava com a história de um executivo que postergou ao máximo a sua aposentadoria, apesar do pedido da sua esposa que queria aproveitar a vida e fazer uma viagem pelo mundo. Depois de quinze anos de tanta insistência, ele prometeu aposentar-se em um ano. Ela um pouco frustrada, mas sabendo que agora faltaria pouco, passou oito meses fazendo planos até que três meses antes da data da aposentadoria, descobriu que tinha uma doença terminal e faleceu em dois meses. O marido demonstrou seus arrependimentos e o que faria diferente caso pudesse voltar no tempo.
Um depoimento chocante, que automaticamente nos leva a pensar: “E se fosse comigo? Do que eu me arrependeria?”. Fiquei um bom tempo pensando sobre o que é importante para mim. Pensei na minha família, amigos, no meu trabalho, nas coisas que gosto de fazer e por fim, cheguei a algo que resume bem como eu quero me sentir quando eu chegar ao fim da minha jornada. Quero olhar para trás com a sensação de “ter vivido”.
Uma frase simples, talvez muito óbvia, mas para mim, extremamente profunda e difícil de colocar em prática.
A convivência em sociedade tem feito intensos apelos que nos colocam em uma pista de corrida, nos fazendo saltar de um compromisso para outro, e servindo, na maioria das vezes, para darmos voltas em círculos, sem nos levar a lugar algum. Parece uma maratona sem fim, regida por uma ilusória busca pela felicidade.
Como o importante é correr, precisamos de velocidade para não perder tempo e fazer tudo o que queremos, ou melhor, que acreditamos que precisamos fazer, e dessa forma, acumular o maior número de experiências possíveis, com a crença de que a quantidade possa nos preencher.
A palavra de ordem é estar ocupado, fazer de tudo um pouco e principalmente estar pronto para responder “sim” às frequentes perguntas: “Você assistiu…?”, “Você leu…?”, “Você foi…?”, “Você conhece…?”, “Você tem…?”, “Você viu na internet…?” Procuramos saber e fazer de tudo, mas a quantidade não nos dá a sensação que buscamos inicialmente.
Em meio à correria, fazemos diversos planos, que não chegam a se concretizar, a meu ver, devido a duas razões principais. Uma delas por falta de tempo, e a outra, quando os nossos planos são completamente alterados em função das circunstâncias. Em ambos os casos, tendemos a permanecer no ciclo vicioso da frustração e culpamos os acontecimentos e os outros, por nossa vida sem sentido.
Como Jonh Lennon fala em sua canção Beautiful Boy, “a vida é o que acontece com você enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. Planejamos uma viagem, um passeio ao teatro ou ao cinema, a leitura de um livro, o aprendizado de uma língua ou de um instrumento, procuramos passar mais tempo com as pessoas que são importantes, enfim, fazemos uma série de planos que não se concretizam, pois buscamos um momento perfeito para realização dos mesmos e não nos damos conta de que este momento não existe. Ou se é muito novo, ou muito velho. Ou se está muito apressado ou muito cansado. Ou se tem muito que fazer ou não se tem nada. O tempo perfeito não chegará jamais.
Para mim, “viver a vida” é ser capaz de perceber o momento de sair da pista de corrida, fazer o tempo “parar” e apreciar os momentos especiais. É concretizar os planos que julgamos importantes para nós e para as pessoas que amamos e ter a sabedoria de mudar de plano sempre que necessário.
É disso que eu não quero me arrepender, de ter perdido a chance de viver a vida em sua plenitude.
E você? Do que você não quer se arrepender? Não é possível voltar no tempo, mas ainda há tempo de não se arrepender.
Para finalizar, deixo aqui um poema de Mário Quintana,
O tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.