“Life is what happens to you while you are busy making other plans” Jonh Lennon

“Vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos” Jonh Lennon

Li recentemente um artigo sobre os principais arrependimentos que temos na vida.

A matéria começava com a história de um executivo que postergou ao máximo a sua aposentadoria, apesar do pedido da sua esposa que queria aproveitar a vida e fazer uma viagem pelo mundo. Depois de quinze anos de tanta insistência, ele prometeu aposentar-se em um ano. Ela um pouco frustrada, mas sabendo que agora faltaria pouco, passou oito meses fazendo planos até que três meses antes da data da aposentadoria, descobriu que tinha uma doença terminal e faleceu em dois meses. O marido demonstrou seus arrependimentos e o que faria diferente caso pudesse voltar no tempo.

Um depoimento chocante, que automaticamente nos leva a pensar: “E se fosse comigo? Do que eu me arrependeria?”. Fiquei um bom tempo pensando sobre o que é importante para mim. Pensei na minha família, amigos, no meu trabalho, nas coisas que gosto de fazer e por fim, cheguei a algo que resume bem como eu quero me sentir quando eu chegar ao fim da minha jornada. Quero olhar para trás com a sensação de “ter vivido”.

Uma frase simples, talvez muito óbvia, mas para mim, extremamente profunda e difícil de colocar em prática.

A convivência em sociedade tem feito intensos apelos que nos colocam em uma pista de corrida, nos fazendo saltar de um compromisso para outro, e servindo, na maioria das vezes, para darmos voltas em círculos, sem nos levar a lugar algum. Parece uma maratona sem fim, regida por uma ilusória busca pela felicidade.

Como o importante é correr, precisamos de velocidade para não perder tempo e fazer tudo o que queremos, ou melhor, que acreditamos que precisamos fazer, e dessa forma, acumular o maior número de experiências possíveis, com a crença de que a quantidade possa nos preencher.

A palavra de ordem é estar ocupado, fazer de tudo um pouco e principalmente estar pronto para responder “sim” às frequentes perguntas: “Você assistiu…?”, “Você leu…?”, “Você foi…?”, “Você conhece…?”, “Você tem…?”, “Você viu na internet…?” Procuramos saber e fazer de tudo, mas a quantidade não nos dá a sensação que buscamos inicialmente.

Em meio à correria, fazemos diversos planos, que não chegam a se concretizar, a meu ver, devido a duas razões principais. Uma delas por falta de tempo, e a outra, quando os nossos planos são completamente alterados em função das circunstâncias. Em ambos os casos, tendemos a permanecer no ciclo vicioso da frustração e culpamos os acontecimentos e os outros, por nossa vida sem sentido.

Como Jonh Lennon fala em sua canção Beautiful Boy, “a vida é o que acontece com você enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. Planejamos uma viagem, um passeio ao teatro ou ao cinema, a leitura de um livro, o aprendizado de uma língua ou de um instrumento, procuramos passar mais tempo com as pessoas que são importantes, enfim, fazemos uma série de planos que não se concretizam, pois buscamos um momento perfeito para realização dos mesmos e não nos damos conta de que este momento não existe. Ou se é muito novo, ou muito velho. Ou se está muito apressado ou muito cansado. Ou se tem muito que fazer ou não se tem nada. O tempo perfeito não chegará jamais.

Para mim, “viver a vida” é ser capaz de perceber o momento de sair da pista de corrida, fazer o tempo “parar” e apreciar os momentos especiais. É concretizar os planos que julgamos importantes para nós e para as pessoas que amamos e ter a sabedoria de mudar de plano sempre que necessário.

É disso que eu não quero me arrepender, de ter perdido a chance de viver a vida em sua plenitude.

E você? Do que você não quer se arrepender? Não é possível voltar no tempo, mas ainda há tempo de não se arrepender.

Para finalizar, deixo aqui um poema de Mário Quintana,

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

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Quero meu celular de volta!!!!

Comprei um novo celular, super-mega-blaster.

Lembro-me de como me senti ao efetuar a compra. Um mar de expectativas invadiu a minha mente. Comecei a sonhar acordada imaginando como seria maravilhoso usar todas aquelas funções que constavam no descritivo do produto. Afinal, esta é um das grandes funções das propagandas, incurtir na nossa cabeça que ao adquirir determinado produto, nos sentiremos felizes. E como queremos ser felizes, facilmente caímos na rede do consumismo.

Naquele momento, não havia a menor dúvida de que eu acabara de realizar uma excelente compra. Eu já tinha experiência com a marca e comprei o celular mais caro. A compra fora perfeita, consequentemente… me sentia perfeita. Esqueci-me que a incerteza é o habitat natural da vida, ainda que vivamos sob a esperança de escapar dela.

Bem, como dizem, “a alegria durou pouco”.

Primeiro dia de uso:

Saí de casa cedo para o trabalho e como estava muito frio, decidi ligar para casa e avisar o meu filho para se agasalhar melhor. Dirigindo, tirei o meu super-mega-blaster celular da bolsa para fazer a ligação. Abri o celular, tentei uma tecla, depois outra e mais outra. Resumindo: foi um sacrifício até que eu finalmente conseguira discar. Coloquei então o fone no ouvido e de repente o mesmo desligou.
D-e-s-i-s-t-i. Encostei num posto de gasolina, coloquei o chip no meu antigo celular. Ufa! Que alívio! Finalmente consegui falar, como nos bons e velhos tempos.

Coloquei o celular na bolsa e lá ele ficou pelo resto do dia.

Segundo dia:

Passei boa parte do tempo em reuniões e o usei apenas para fazer anotações. O teclado era simplesmente fantástico. E ainda tinha acesso aos principais aplicativos Office. Eu estava fascinada com tantas possibilidades.

Saí do trabalho e tentei fazer uma ligação. Achei um pouco complicado, mas logo me convenci: faz parte do processo de adaptação.

À noite peguei o celular para enviar um email. Comecei a escrever a mensagem e sem mais nem menos, mudou de tela. Conclusão: perdi tudo que eu havia escrito.

Fiz uma nova tentativa. Logo percebi que não dava para digitar deitada, pois além de pesado, o teclado era grande. Que saudade do meu bom e velho celular, que eu sabia de cor o posicionamento das teclas e era capaz de digitar sem olhar e com apenas uma mão.

Terceiro dia:

No caminho para o trabalho fui pensando: tenho de fazer as pazes com o celular e aprender a usá-lo, pois devo estar na fase de transição e não posso ser resistente a mudanças.

Uma forma um tanto quanto racional para lidar com o problema. De qualquer forma, adotei uma postura pacífica e bem intencionada.

O desconforto começou na hora do almoço quando eu não consegui carregá-lo no bolso. Tentei fazer uma ligação e tive muita dificuldade para localizar a lista de contatos. Por fim, por ser “touch”, cada vez que eu o posicionava na orelha para falar, o celular desligava.

Ao sair do trabalho, no carro, tentei fazer uma ligação e abrir um email. Não consegui nenhum, nem outro. Foi a gota d’água! Percebi que o celular estava literalmente me fazendo mal. Minha cabeça doía e eu estava extremamente irritada.

Eu me sentia empacada, como se a única possibilidade fosse me acostumar com o novo celular. Eu já havia passado por situações similares em outros momentos, quando me senti mal por alguma decisão tomada e mesmo assim não conseguia tomar outra decisão para acabar com o mal estar.

Passados mais alguns minutos, tentei sem sucesso fazer outra ligação. Neste momento, a frustração tornou-se insuportável. Até que no meio de um turbilhão de coisas passando pela minha cabeça, uma luz de consciência apareceu: eu não preciso disso, não vou mais usar este celular e estou disposta a arcar com as consequências. Se conseguir  devolver, ótimo. Se conseguir vender, bom. Caso nenhuma das alternativas anteriores funcionarem, paciência,  quem sabe encontro alguém que vislumbre alguma utilidade naquele aparelho. Não me importo mais.

Muitas vezes, o preço de reverter a situação é muito alto (em tempo, emoção ou dinheiro), e por esta razão, nos acostumamos com a situação e passamos a perceber as nossas decisões como irreversíveis.

Eu havia tomado a decisão errada e custei a aceitar. O preço de voltar atrás talvez pudesse ser alto demais. Mas o valor da minha tranquilidade não tinha e não tem preço.

Mesmo sabendo que um dos maiores motivos da infelicidade seja fazermos algo que não queremos ou não nos faça bem, muitas vezes é difícil tomar a atitude para mudar o curso do rio.

O lado bom da frustração é que o mal estar pode nos impulsionar a agir para tentar melhorar as coisas.

Nada é para sempre… Nem mesmo uma decisão…

Pense nisso!

Uma ótima semana,

Adriana

P.S. Essa história aconteceu comigo já faz algum tempo e o fabricante recebeu o celular de volta sem nenhum stress.

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No avião da vida, você é Piloto ou Passageiro?

Há alguns anos, ouvi de uma amiga, a metáfora do Piloto e do Passageiro. Desde então, tenho aprendido e incorporado alguns aspectos desta comparação.

E você? Já pensou sobre isto? Caso não o tenha feito, ou não conheça a metáfora, vou compartilhá-la aqui, junto com algumas perguntas e reflexões.

Eu o convido a analisar algumas de suas atitudes e ações sob a ótica do piloto e do passageiro.

Vale à pena a reflexão!

Todo avião, ou pelo menos todos os que levam passageiros, tem um piloto. Quando se chega a uma idade em que podemos tomar decisões, escolhemos em qual lugar desejamos sentar, no avião da vida, da carreira, do casamento, do clube ou associação que frequentamos. Vamos conhecer um pouco mais do que cada um desses papéis representa na vida das pessoas.

O passageiro desliga-se de si mesmo. Diz por dizer, ouve sem escutar.

Passa a vida andando com os sapatos de outras pessoas, o que lhe causa dor e muitos calos.

Tem receio de ser original, de pensar diferente do “rebanho”. Senta e se acomoda no banco da vida, ao som da música “Deixa a vida me levar”, de Zeca Pagodinho. Que por sinal, faz a vida do passageiro se tornar menos dolorida, tem até samba para cantar!

É ator coadjuvante, sujeito passivo. Sua frase típica é: “não há nada a fazer, só me resta aceitar”.

Acredita que nasceu para ser passageiro e que ser piloto é uma questão de sorte.

Tem sempre na manga uma desculpa para manter a sua posição.  Faz escolhas, mas estas são limitadas, pois sua condição restringe seu campo de atuação.

Sua responsabilidade é menor e culpa os outros, os pilotos, por suas frustrações.

Não sabe aonde quer chegar, prefere ser levado.

Passa pela vida, sem deixar a sua marca.

E o piloto?

O piloto é aquele ou aquela que assume a direção da sua própria vida. Deixa claro ao mundo quem é e quais são os seus valores.

Sabe aonde quer chegar, mesmo não sabendo exatamente qual o caminho a seguir.

Algumas escolhas são realizadas quando o céu está aberto e azul. Outras, quando há muita neblina. Mas, independente da condição, toma decisão, pois sabe que não decidir é uma decisão. A decisão de um passageiro.

Não tem medo de arriscar. Quando sente que fez a escolha errada, muda a direção e aprende com os erros.

Está sempre pronto a entrar no avião para mais um vôo. E a cada nova viagem, vivencia novas experiências, que lhe ampliam o sentido da própria vida.

Como escreveu Belchior e Elis Regina cantou “Viver é melhor que sonhar”.

Viver é adicionar experiências em sua biografia. Experiências que você, como piloto decidiu viver e transformar em sua história.

A diferença entre os dois?

O passageiro não arrisca, apenas sofre os efeitos das manobras arriscadas do piloto. O piloto sabe o momento de arriscar.

Durante o percurso, algumas escolhas são mais prováveis do que outras. O passageiro aceita o que lhe for mais conveniente. O piloto desafia as probabilidades.

O passageiro tem como principal lema “eu devo”. Preza pela segurança, pela comodidade em ter sempre o selo de aprovação social.

Já o piloto, tem em mente “eu quero”. É guiado pela liberdade e age com autenticidade.

Para o passageiro, a jornada não é importante. Muitas vezes, passa despercebida. Já para o piloto, o percurso é tão importante quanto a chegada.

O passageiro vive de esperança. Espera que o próximo dia seja melhor. Acha que a felicidade é coisa do destino, uma questão de sorte.

Já o piloto sabe que felicidade é uma escolha, não o destino. Busca alternativas para ser feliz. Cria condições para que seus sonhos e desejos se realizem.

Sentar no banco do passageiro, leva a um estado de repouso, um sentimento de tédio, de vazio.

Pilotar o seu avião, por sua vez, lhe traz uma sensação de “vida”.

Para concluir, preciso confessar que não há nada comparável a pilotar o seu avião, junto com um piloto que olha para a mesma direção, que possui os mesmos sonhos, que está lá, sempre disposto a trocar ideias sobre a melhor rota a ser seguida.

Além disso, compartilhar cada milha, cada momento, ao sabor do vento e da vida.

 

E você? Piloto ou Passageiro?

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Cadê minha mala?

Depois de longas horas de vôo, tudo o que queremos é passar o mais rápido pela imigração, pegar as malas e reencontrar a família que nos aguarda ansiosamente.

Pois é, a nossa história não foi exatamente assim. A começar pela fila para passar pela Polícia Federal: demorou mais de uma hora. Depois, a busca pela mala. Eram três. Pegamos uma na esteira, a outra, que estava jogada em um canto, e a terceira, a maior delas, a minha mala, nada! Por um bom tempo ficamos acompanhando a esteira, que rodava com as mesmas malas, na esperança de que o óbvio não se manifestasse. Por fim, nos conformamos e fomos preencher os formulários de perda de bagagem.

O dia passa e aos poucos, me dou conta do que havia dentro da mala e da probabilidade de jamais rever seu conteúdo. Sinto falta do meu travesseiro, que por mais ridículo que possa parecer, já me acompanha há alguns anos. Relembro a história de alguns objetos, e percebo que o seguro jamais compensará o real valor de cada um. A dor da perda torna-se inevitável.

Apropriamos-nos de muitas coisas e infelizmente até de algumas pessoas, como se elas fossem nossa propriedade, com o desejo de que permanecessem conosco para sempre. O pronome possessivo nos acompanha desde pequenos. O meu pai, a minha mãe, o meu lápis, a minha escola, o meu amigo, a minha casa, e com o decorrer dos anos, o meu trabalho, o meu carro, o meu marido, a minha esposa, o meu filho, e por aí vai.

Como diz o ditado popular: “nada é de ninguém e ninguém é de ninguém”. No entanto, mesmo sabendo que a garantia e a certeza são ilusórias, muitas vezes caímos na cilada da crença do “é meu” e sofremos quando ocorre a perda.

Já vivenciei algumas perdas, umas mais tristes, outras menos, mas nada tão dolorido comparado à de muitas pessoas que conheço e das notícias que assolam o mundo.

Colocar as nossas frustrações em perspectiva nos auxilia a dar o real valor à situação. No calor da emoção, nos concentramos apenas no fato que nos incomoda e muitas vezes, este mecanismo nos impede de achar uma saída para nos sentir melhor.

Sem dúvida, escrever estas linhas me ajudou a refletir e a enxergar o extravio da mala de outra forma. Como dizia um de “meus” professores: “a vida ensina… cabe a cada um de nós querer aprender…”

P.S. Enquanto finalizava esta crônica, recebemos a ligação de que a mala fora localizada, e seria entregue ao longo do dia.

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Ordem e desordem – a confecção da imagem ou a imagem da confecção

Recentemente fui a uma confecção comprar uniforme escolar. Estacionei em frente ao local e ao começar a subir a escada que levava à loja, senti uma certa confusão, uma sensação de entrar no lugar errado.

Percebo cada vez mais, que criamos expectativas, tanto para as pequenas, como para as grandes coisas. Neste caso, uma loja que fora indicada pela escola onde estudam meus filhos, eu criei uma expectativa. Esperava um padrão de organização e serviço, mas o que eu encontrei, foi bem diferente.

Na escada, fiapos de pano, linhas e muita poeira. Na sala, a minha confusão inicial cedeu lugar a uma completa indignação. Não acredito no que estou vendo! Numa rápida olhada vi: um sofá de courvin muito deteriorado, uma manta velha e bem encardida, um urso de pelúcia rosa, ou melhor, que algum dia teria sido rosa; uma estante velha com taças de vinho nas prateleiras, um vaso com flores plásticas, um carrinho de bebê, uma televisão muito antiga, um computador, e claro, uma estante com os uniformes.

Tive vontade de dar meia volta e ir embora, mas fiquei apenas em nome da comodidade, afinal de contas, eu já estava ali. Na sala, não havia ninguém. Após alguns instantes, uma senhora, uma das costureiras, surgiu de uma sala e me atendeu gentilmente.

Ela rasgou duas folhas de um velho caderno e colocou entre elas, um papel carbono. Esperei pacientemente enquanto ela anotava com muita dificuldade o meu pedido. Após anotar tudo, ela tristemente percebeu que havia posicionado o carbono ao contrário. Era preciso escrever tudo novamente. Eu procurei tranquilizá-la, pois se alguém tinha responsabilidade pelo o que estava acontecendo, este era o proprietário e não a costureira, que com toda a boa vontade procurava me ajudar.

Quando eu estava prestes a sair, não hesitei e perguntei para a senhora que me atendera: “Quem é a dona?”. A costureira mostrou-se ainda mais nervosa do que já estava, pois imaginara provavelmente, que o intuito da minha pergunta era fazer uma reclamação. Procurei tranquilizá-la, reconhecendo seu bom atendimento e ressaltei que estava apenas curiosa para saber quem era a proprietária. Mais calma, ela respondeu: “Ela não vem muito aqui, quem toca é a “fulana”, que foi levar a filha para tomar vacina. Mas os filhos da Dona estão sempre aqui”. E no final, para fechar com chave de ouro a minha indignação, ela disse: “Ela é Diretora de escola”. Não me aguentei e soltei: “Uau! Inacreditável!”. A costureira não entendeu o meu espanto. Despedi-me e fui embora.

Como alguém que mantém um negócio naquela bagunça poderia dirigir uma escola? Milhões de perguntas invadiram a minha cabeça. Para mim, o diretor de uma escola é antes de tudo um educador. Acredito que não se “dá” o que “não se tem”, assim, não se ensina o que não se pratica. Prometi a mim mesma, que jamais voltaria àquela loja.

No caminho para casa, fiquei imaginando como seria a sala de trabalho da tal Diretora, como seria sua casa, como ela se vestia, se arrumava, etc.

No mundo dos negócios é frequente ouvir: “Imagem é Tudo!”. A forma como nos vestimos, nos arrumamos, nos alimentamos, mantemos a nossa casa e o nosso ambiente de trabalho, dizem muito a nosso respeito.

Se saíssemos pelo mundo, com uma câmera, fotografando cenas do nosso dia a dia, teríamos uma composição de vários “flashes” da nossa vida, cujo significado, apenas cada um saberia dar. Uma cama desarrumada numa manhã de domingo, pode ser um convite para ler um bom livro embaixo das cobertas. A pia da cozinha repleta de louças para lavar, pode ser: “preferi curtir a conversa após o jantar”. No trabalho, a mesa cheia de papéis, pode significar “gosto de ter à vista tudo que preciso fazer”.

A maneira como nos apresentamos, nos comportamos e lidamos com o nosso dia a dia, diz respeito a cada um de nós. No entanto, o respeito pelo outro e por espaços comuns é fundamental.

Gosto de observar os famosos avisos de boa convivência, deixados principalmente no banheiro e nas salas de café dos escritórios: “Não jogue papel no chão”, “Dê descarga”, “Limpe a mesa depois de usar”, entre muitos outros exemplos, escritos por alguém que ficou louco da vida com a falta de educação das pessoas. Como forma de reduzir a revolta causada pela indignação, deixou avisos, na esperança de que seria compreendido.

Quando eu leio os avisos, sinto-me envergonhada por ainda estarmos em um estágio de aprendizagem de regras tão básicas para uma boa educação, e também por acharmos que a obrigação da limpeza é do outro, geralmente da mulher ou do faxineiro.

Não creio que as pessoas deixam de organizar o ambiente com a intenção de desrespeitar os demais. Como a desorganização não as incomoda, ou deixar o ambiente organizado não é um hábito, as pessoas simplesmente “não se ligam!” Em seu mundo, as coisas são assim. Não há uma ordem, uma organização primária. Isso também se reflete na maneira como as pessoas pensam a agem com outras coisas em suas vidas. Mas voltando ao aspecto ordem e arrumação, normalmente as pessoas estão concentradas em outras coisas e não percebem como “largam” o ambiente durante ou após o uso. 

Vejo isso quando levantam-se de suas cadeiras, empurrando-as para trás, seja no restaurante, em casa ou no escritório, e as deixam displicentemente sem arrumar… provavelmente imaginando que elas possuem vida própria e retornarão de forma autônoma para o seu local de origem. Ou quando comem e deixam os restos e utensílios sob a mesa, por vezes no chão, na expectativa de que algum serviçal limpe o local.

Os exemplos são inúmeros, basta-nos ver a quantidade de avisos e lembretes, dispostos nos locais públicos. 

Bom será o dia em que estes alertas não serão mais necessários. Aí sim, saberemos que o respeito aos lugares comuns foi incorporado ao nosso comportamento.  

Enquanto isso, você, eu e muitas outras pessoas, estarão indignadas com a falta de educação.  

É mais fácil questionamos os outros e não questionamos a nós mesmos. A Dona da Confecção, deixa uma mensagem para cada um que visita sua loja.  

E você, já se perguntou a mensagem que você passa?

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Uma semana “sem sal”…

Tive uma semana insossa. Porquê? Não sei exatamente. Pode ter sido o cansaço acumulado, um motivo a mais aqui, outro acolá. Entretanto, nada justificava aquela sensação incômoda, sem sabor, sem vida.

Talvez por mania de psicóloga, passei a investigar a causa do meu desânimo. Eu estava incomodada por não me sentir bem. Mas, por quê?

Percebo que há uma forte tendência em buscarmos a felicidade o tempo todo. Tenho a impressão de que queremos a felicidade, ou viver este sentimento, como em um conto de fadas, onde tudo dá certo, onde viveremos felizes para sempre.

Um dos fatos que concluí, é que muitas vezes, não sabemos ao certo o que queremos. Sabemos apenas como queremos nos sentir: felizes. E para que este sentimento exista, cada um procura encontrar a sua forma.

Às vezes, nos colocamos na trajetória das compras, daquilo que nos proporciona um prazer imediato, cuja duração, é tão efêmera, quanto o pagamento com o cartão de crédito. Tão logo a novidade acaba, o prazer se esvai, e deixamos de ser felizes. Em outros momentos, comparecemos a eventos sociais, onde predominam as conversas superficiais, as grifes da moda e o desfile de egos. Em algumas ocasiões, fazemos viagens, vamos a teatros, restaurantes, etc. Buscamos apenas a diversão.

Em uma recente pesquisa, especialistas concluíram que a indústria do entretenimento é uma das que mais fatura. Poderíamos imaginar que se as pessoas se divertem tanto, elas deveriam estar mais felizes. Certo?

Como, na maior parte das vezes, o que fazemos nos leva a um prazer imediato, nos colocamos num ciclo vicioso perigoso. O da busca incessante pelo êxtase. Saltamos de um evento para outro, como meio para nos sentir bem o tempo todo. O vazio da ação, a falta de adrenalina, de prazer, é aparentemente, uma causa de dor, de angústia, de depressão.

Mesmo fazendo de tudo, comprando de tudo, a sensação de vazio permanece. Possivelmente, pelo fato de não viver o que realmente faz sentido para nós. Porém, no dia seguinte, quase sempre temos algo para contar. Pois, além da necessidade do prazer, precisamos mostrar a todos que estamos bem.

Observe ao seu redor, seus familiares e amigos.

Quando alguém lhe pergunta se você está bem, o que você responde? “Tudo bem”, certo? Quando alguém volta das férias,do final de semana, é comum ouvirmos “foi tudo ótimo”, “maravilhoso”. Será?

As publicações de fotos no Facebook e outras redes sociais normalmente expressam momentos maravilhosos, e são um bom exemplo dessa necessidade incontrolável para alguns, de demonstrar, mais o que viver. Ontem mesmo, estava em um restaurante e ouvi um dos integrantes de um grupo de amigos dizendo: “vou publicar esta foto on line”. Provavelmente com o intuito de mostrar a todos, que estava tendo uma experiência fantástica.

Ocorre que muitas vezes, algumas coisas não parecem reais, até que as contemos a alguém.

As estratégias de marketing cooperam muito, para que entremos neste ciclo vicioso. Os produtos são demonstrados e vendidos com meios para sermos felizes, magros, bonitos, saudáveis etc. Saímos em busca, não do produto, mas do bem-estar que imaginamos estar embutido nele.

Buscamos o “ideal margarina”, onde todos acordam felizes, de bom humor, arrumados, saudáveis, numa casa aconchegante, com uma mesa de refeição completa. Mas, nós bem sabemos, que a vida não é assim.

Não penso que as pessoas devam deixar de buscar a felicidade, ou momentos de prazer, afinal, quando nos sentimos felizes, nos sentimentos realmente “vivendo a vida”.

Acredito que devemos avaliar, se o que fazemos é para mostrar aos outros que estamos bem, como forma de satisfazer a expectativa de uma felicidade obrigatória, ou se realmente fazemos o que queremos e o que faz sentido para nossas vidas.

Muito pior do que mostrar aos outros que estamos felizes, quando não estamos, é mentir para nós mesmos.

Entendo que o mito da felicidade obrigatória, dos sorrisos superficiais, demonstrando um estado de felicidade irreal, não nos faz viver melhor. Viver traz consigo, o amargo sabor das derrotas, a angústia de algo não alcançado, as dores e mágoas de amores que se foram, que não foram correspondidos, a dor e a saudade daqueles que se foram. A vida é a soma de todas as contradições, de todas as tristezas e alegrias que sentimos, dia após dia. Ser feliz, é compreender isso e aprender a conviver com o que queremos e com o destino, simplesmente em paz.

Aquela sensação de bem estar, de felicidade que tanto buscamos, não se conquista de “fora para dentro”, mas sim, de “dentro para fora”. A inquietude de tudo que vem e fora, só silencia, com o que vem de dentro.

E para você? O que realmente te importa?

Você saberá… olhando simplesmente para você.

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Quando o despertador toca, o que te faz levantar?

Cena 1: Um bom motivo para levantar….
“Mãe, faltam 7 dias para o meu aniversário!”. No dia seguinte, “6 dias” e …”5..4..3..2…1″. Foi com esta contagem regressiva, que meu filho mais novo acordou, na semana que antecedia o seu aniversário. Na medida em que a data se aproximava, o entusiasmo aumentava. Até que, no tão esperado dia, não precisei acordá-lo. Quando abri a porta do quarto, para fazer a nossa tradicional surpresa de acordá-lo com as velinhas, ele já estava de olhos abertos e com um lindo brilho no rosto. “Chegou o dia, mãe!”.

Cena 2: Querendo dormir mais…
Segunda-feira, às 05h10, toca o meu despertador. Primeiro a negação: “Mas já! Não é possível!”. Depois a raiva: “Que chato, não quero levantar agora.” Por fim, a aceitação. A responsabilidade fala mais alto. Ainda assim, aciono o mecanismo “soneca” do celular e me aconchego por baixo das cobertas.  Não sei quanto a vocês, mas para mim, parece que esta é a hora em que a cama está mais gostosa. Fecho os olhos, pois sei que tenho mais uns minutinhos, e, da mesma forma que pulamos de um canal de TV para outro, busco na memória a programação do dia. O que quero encontrar? Aquele brilho, igual ao dos olhos de meu filho no dia de seu aniversário, que me convidaria a levantar.

O despertador toca pela segunda vez. Levanto, e em segundos entro no ritmo da rotina. Acordar os meninos, banho, arrumar o café, preparar o lanche; escrever bilhetes etc. No caminho para o trabalho, me intrigo com a questão: “Quando o despertador toca, o que faz com que cada um se levante?”. Passo o dia com esta pergunta indo e voltando em meus pensamentos e chego a algumas conclusões.

Alguns levantam por obrigação. Outros, por medo da repreensão.
Alguns levantam por hábito, porque é a hora de levantar. Não pensam, simplesmente levantam.
Outros, por falta de opção. Cansaram de ficar na cama e precisam fazer algo diferente.

Percebo no rosto das pessoas, a forma diferente com que o despertador tocou.
Alguns, apresentam uma cor opaca, marcada por uma rotina de obrigações.
Outros, um brilho nos olhos. Similar ao que eu vi em meu filho, no dia de seu aniversário.
O mesmo brilho que observo nos casais apaixonados e nos pais curtindo o sorriso dos seus bebês.

Recentemente, assisti ao filme O Leitor, do diretor Stephen Daldry. Parte da história se passa na Alemanha logo após a segunda guerra mundial. O adolescente Michael Berg se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz, uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe e idade, os dois se apaixonam e vivem uma bela e inusitada história de amor. Um belo dia, Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Michael, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente, ao acompanhar um polêmico julgamento de crimes de guerra cometidos pelos nazistas.

Um filme extraordinário que nos leva a uma série de reflexões. Num dado momento do filme, o professor de Direito diz à Michael. “Muitas vezes, é mais importante o que “fazemos” ao invés do que “sentimos”. Esta frase me chamou a atenção, porque em muitos momentos me senti mal, e não fui capaz de fazer algo para mudar a situação. Às vezes nos sentimos tristes, depressivos, sem energia. Falamos sobre estes sentimentos, pensamos no que sentimos, entretanto, nada fazemos a respeito deles.

Tenho a impressão de que muitas vezes, acreditamos que um grande acontecimento precisa ocorrer para que possamos nos sentir bem. Aprendi que pequenas coisas têm o poder de fazer emergir o mesmo brilho que eu vi nos olhos do meu filho. Isto acontece na medida em que somos capazes de nos concentrar nelas, de dedicar a elas nossa atenção para curti-las e aproveitá-las.

Então, fica aqui a sugestão: a próxima vez que o seu despertador tocar, pergunte-se:

“Qual o brilho de hoje?”

E se a resposta for, “não sei”. Não perca tempo!

Faça algo, mesmo que pequeno.  Faça o seu dia brilhar!

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